Nova teia
Agora, a minha teia é outra. Desde a última vez que teci linhas de seda neste canto poeirento, muita coisa mudou.
Aqui, é tudo diferente. O frio é mais intenso; o medo também, e a felicidade é tão poderosa ou tão vã quanto antes. Há a saudade, mas isso é história para tecer noutra altura.
Aqui, existe um sabor a fel em cada canto. Os meus aracnídeos olhos fixam tudo – até e especialmente as misérias dos outros. Aqui, ser aranha sem teia é frequente, e sabê-lo corrói-me mais a alma feita de linhas frágeis do que compreender a distância que me separa de casa. Há quem não tenha uma, ponto. Há quem não tenha nada senão olhares piedosos ou de desdém. Dormem nas ruas – e caramba, a temperatura lá fora é mais baixa que o meu esforço para entender as razões de tudo! – e a minha vontade é oferecer-lhes um mundo inteiramente novo.
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Mas eu sei: esta aranha não pode oferecer-lhes senão o pensamento.
Triste Triste Teia esTa.
