Nova teia

•Novembro 28, 2010 • Deixe um Comentário

Agora, a minha teia é outra. Desde a última vez que teci linhas de seda neste canto poeirento, muita coisa mudou.
Aqui, é tudo diferente. O frio é mais intenso; o medo também, e a felicidade é tão poderosa ou tão vã quanto antes. Há a saudade, mas isso é história para tecer noutra altura.
Aqui, existe um sabor a fel em cada canto. Os meus aracnídeos olhos fixam tudo – até e especialmente as misérias dos outros. Aqui, ser aranha sem teia é frequente, e sabê-lo corrói-me mais a alma feita de linhas frágeis do que compreender a distância que me separa de casa. Há quem não tenha uma, ponto. Há quem não tenha nada senão olhares piedosos ou de desdém. Dormem nas ruas – e caramba, a temperatura lá fora é mais baixa que o meu esforço para entender as razões de tudo! – e a minha vontade é oferecer-lhes um mundo inteiramente novo.

.
.
Mas eu sei: esta aranha não pode oferecer-lhes senão o pensamento.
Triste Triste Teia esTa.

Sobre a Paz

•Janeiro 14, 2010 • Deixe um Comentário

Deus, seja qual for a sua cor, a sua forma, o seu sexo, a sua personalidade ou ausência dela, ensina-nos que a vida é como uma teia de aranha: tão bela e tão frágil – e não nos cabe dizer se é justo ou não.
Na verdade, não consigo achar justiça na morte. Mas deve haver algum sentido.
Para já, deixem a vida aos que eu amo – a morte deles deveria – permitam-me este tipo de egoísmo que é o meu principal traço – surgir apenas depois da minha.

 
Sobre a Paz quero dizer: Deus, a Deusa ou os Deuses (escolham vocês conforme o vosso coração), são Ela.

 

 

 

 

 
O meu carinho vai para o Haiti.

Meus Caros Aracnídeos

•Janeiro 13, 2010 • Deixe um Comentário

Uma outra espécie da categoria das Aranha – leia-se um professor catedrático ou o caramba -, dizia, uma certa altura (tentarei traduzir a sua arrogância que só os da sua espécie conseguem):

 

 

 
SE NÃO LEREM JORNAIS SERÃO ETERNAMENTE IGNORANTES.

 

 

 
Excelentíssimo Aracnídeo estranho à minha alma:
Os seus jornais jamais me alumiarão o caminho. Se tudo o que aquelas teias moribundas me podem dizer são as mágoas que habitaram o meu corpinho frágil em outras palavras, então saiba que a minha alma não está a venda. Não a vendo a troco do conhecimento; na minha ignorância sou feliz e a minha teia resplandece pelo facto de eu amar estar viva.

 

 
Não poderá nunca fazer-me desprezar o dia em que nasci.

 

 

 

 

 
Temos pena.

Eis que

•Outubro 15, 2008 • Deixe um Comentário

Após dois anos na minha teia, o meu aracnídeo foi-se.

Com toda a cobardia que jamais esperei ver nele.

 

 

E dói, dói tanto

que a minha teia me parece

desfeita.

Venham as chuvas

lavar as mágoas de seda

no meu corpo de Aranha.

a aranha explode

•Setembro 19, 2008 • Deixe um Comentário

Sou uma aranha tão

 

cheia de raiva.

 

De mágoa.

 

De dor.

 

De Lamento.

 

De desejo de me sumir.

 

 

Antes de explodir, a aranha desvanece-se, engolida pelos terramotos no ventre.

Eternidade

•Setembro 1, 2008 • Deixe um Comentário

A coisa mais surreal me aconteceu: esta teia foi poupada. Descobri que alguma aranha esteve aqui – e petrifiquei! Alguma aranha entrou mais em mim que algum dia me abri para alguém!

E, para ti, eu escrevo algo que desejava ha muito confessar

. Uma amiga, por quem eu tenho uma profundo carinho, casou-se há semanas. Ao entrar na Igreja, chorou. E eu chorei com ela, porque vê-la feliz encheu-me a alma de alegria e melancolia. (Não te surpreendas com tais paradoxos, isto é tão mais profundo que eu e tu algum dia seremos). E ela nunca saberá.

E, naquele segundo, cara Eternidade, eu percebi que eu queria estar bem mais longe do sítio onde estava, com outras roupas, e outro alguém a segurar-me a mão – Outra teia!

Nâo que eu ame outro aracnídeo para além daquele.

É apenas que a minha alma é demasiado livre para ser segura por alguém.

 

Compreendes?

A aranha suspira

•Maio 25, 2008 • Deixe um Comentário

Compreender-me-ão que há certas alturas em que nos comportamos como moscas horríveis para com o aracnídeo do nosso coração; é depois vermo-nos esconder a cabeça entre as patas, ou melhor, asas.

Quantas aranhas conhecem que se levantam duas horas mais cedo para vir tomar o pequeno-almoço convosco?

Quantas aranhas fazem questão de vos chamar, todos os dias, ”a aranha mais bela de todas as teias do  mundo”?

Quantas aranhas verdadeiramente aracnídeas conhecem?

 

 

 

É.

E depois eu consigo ser uma mosca.

Ou então

•Maio 14, 2008 • Deixe um Comentário

Enterrem-me debaixo de um carvalho. Sem estátuas nem mármores.

Só um belo vivo carvalho.

Que fique escrito

•Maio 11, 2008 • Deixe um Comentário

Eu desejo ardentemente (ah, que ironia) ser cremada quando morrer. Mas ah, atrevam-se a cremar-me numa câmara horrível e eu perseguir-vos-ei até ao fim dos vossos dias.

Queimem-me ao ar livre. Num belo jardim.

Sei ser impossível, que o seja. Mas eu hei-de voar eternamente sobre o verde com que sonho, tantas e tantas noites.

E depois do Adeus

•Maio 11, 2008 • Deixe um Comentário

A Aranha fica quieta.

O mais estranho de tudo, é ter uma curiosidade absolutamente horripilante na Morte. E o mais assustador, é perceber que eu seria, de facto, capaz de cometer suicídio.

Ou talvez não.

Compreender-me-ão, julgo.

A menina de 15 anos (lindíssima, por sinal), já não tem a Morte a zumbir em torno dela. A menina recostou-se, por fim, contra o Seu regaço.

E algo me assombra; é uma curiosidade mórbida como poucas outras: onde está ela. Ver-se-á, dali, a repousar na morgue? Ah, e a autópsia, ser aberta, ser remexida; enfim, que raio lhe deu?

Comove-me, juro, ver todos os miúdos da sua idade a lamentarem a sua partida nos seus territórios na net.

Eu não a conhecia. Creio tê-la visto, em frente à escola, na companhia de um dos irmão do meu doce aracnídeo. Tenho

quase a certeza.

Pobre … não direi criança. Ah, não. 

Pobre pai

Pobre mãe

Em que teias deixarão eles tamanho verme se neles entranhar

Pois

•Maio 11, 2008 • Deixe um Comentário

Ontem resolvi fazer de incrível, e saí para a noite. Não frequento discotecas, mas fiz o que sempre faço: olhar. Desta vez, com uma amiga de infância do meu aracnídeo preferido, falando apenas alemão.

Ponto 1. Ela sabia também inglês

Ponto 2. Preferi falar em alemão com ela

Ponto 3. Não domino, mas desenrasco-me relativamente bem, mas aquilo que dois anos de aulas de alemão no secundário (de extrema bagunça, na verdade) o permitem.

Ponto 4. Chamo-lhe treino.

Entrando no cerne do que pretendo dizer, soube que uma miúda dos seus 15 anos resolveu brincar com a arma do papá. Demasiado a sério.

É.

E não, não morreu ainda. Deve a Morte andar a zombar em torno dela.

É.

Resta saber o que se passa por aqui. Isto é demasiado frequente.

É pois.

Vibra

•Maio 10, 2008 • Deixe um Comentário

Uma vez que escrevo para ninguém, ou para alguma presa que aqui venha tombar, posso dizer o que realmente me irrita.

Irrita-me não compreender nada de mim.

Ponto 1: sou anti-social, de uma maneira bem orgulhosa.

Ponto 2: estando numa relação, não sei se saberei o que é amar.

Ponto 3: deve ser culpa minha.

Ponto 4: eu acredito na reencarnação. Mas, oh, chega de reencarnar.

Ponto 5: quando morrer, quero que a minha alma ganhe asas e voe sobre os espaços verdes da Escócia e da Irlanda…

Ponto 6: se possível antes de morrer, agradecia.

A Aranha rodopia na teia

•Maio 10, 2008 • 1 Comentário

O mais absurdo de tudo isto, é que escrevo para ninguém. Ninguém me lê, ou lerá, não enquanto eu nao apresentar este espaço a alguém. E se depender de mim, nunca ninguém aqui há-de chegar. Mas há o acaso. E o acaso faz cruzar mentes aracnídeas com este tipo de teias.

Mas duvido que algum dia a ela fiquem presos. Preso. Presa. Alguém.

Pergunta: Algum dia viram uma aranha a respirar? Inspirar… Expirar… Insipirar… Expirar…

A Aranha Respira

•Maio 9, 2008 • Deixe um Comentário

1.º ponto: não gosto propriamente de aranhas. Não gostaria de as ter, por exemplo, a percorrer o corpo. Eis o lado mais incrível de tudo isto: fascinam-me. É sentar-me no jardim e perceber como uma minúscula aranha consegue atravessar um abismo que vai da mesa de terraço ao vaso mais próximo (à vontade, 1 metro). E tudo isto – obra das suas obras.

Vá-se lá compreender porque, ainda assim, elas me conseguem repugnar.

2.º ponto: eu sou uma espécie de aranha.

3.º ponto: Deve ter havido algo a me chamar a criar (mais) um blogue. Ainda não descobri o quê

 

 

mas não tardará.

 
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