Eis que

•Outubro 15, 2008 • Deixe um Comentário

Após dois anos na minha teia, o meu aracnídeo foi-se.

Com toda a cobardia que jamais esperei ver nele.

 

 

E dói, dói tanto

que a minha teia me parece

desfeita.

Venham as chuvas

lavar as mágoas de seda

no meu corpo de Aranha.

a aranha explode

•Setembro 19, 2008 • Deixe um Comentário

Sou uma aranha tão

 

cheia de raiva.

 

De mágoa.

 

De dor.

 

De Lamento.

 

De desejo de me sumir.

 

 

Antes de explodir, a aranha desvanece-se, engolida pelos terramotos no ventre.

Eternidade

•Setembro 1, 2008 • Deixe um Comentário

A coisa mais surreal me aconteceu: esta teia foi poupada. Descobri que alguma aranha esteve aqui – e petrifiquei! Alguma aranha entrou mais em mim que algum dia me abri para alguém!

E, para ti, eu escrevo algo que desejava ha muito confessar

. Uma amiga, por quem eu tenho uma profundo carinho, casou-se há semanas. Ao entrar na Igreja, chorou. E eu chorei com ela, porque vê-la feliz encheu-me a alma de alegria e melancolia. (Não te surpreendas com tais paradoxos, isto é tão mais profundo que eu e tu algum dia seremos). E ela nunca saberá.

E, naquele segundo, cara Eternidade, eu percebi que eu queria estar bem mais longe do sítio onde estava, com outras roupas, e outro alguém a segurar-me a mão – Outra teia!

Nâo que eu ame outro aracnídeo para além daquele.

É apenas que a minha alma é demasiado livre para ser segura por alguém.

 

Compreendes?

Aranha e Aranhinhas

•Maio 27, 2008 • Deixe um Comentário

Entre os 14 e os 16 anos, eu tive problemas de auto-mutilação. Um dia parei (não sei se foi devido às consultas semanais de psicologia ou se o arregalar de olhos que chegou a tempo), e com ele pararam os pensamentos suicidas e o planeamento do “suicídio perfeito”. Acabaram-se os pesadelos, as clínicas psiquiátricas na minha mente, etc.

Depois de eu me “ter salvo” (isto é mais complexo do que parece), ajudei uma miúda a salvar-se. E salvou-se mesmo. Na verdade, dei tudo de mim a essa miúda, queria muito aquela amizade. Isto porque de amigos, só o meu belo aracnídeo e a minha família próxima. E nunca – nunca – tive um verdadeiro amigo para além deles. (e isto continua a ser mais complexo do que parece…)

A miúda virou-me as costas, entretanto. A mãe achava-me má companhia pois eu continuava a vestir-me de negro. E, no entanto, não era eu a famosa sua amiga que adorava fumar ganza sempre que podia, nem aquela que bebia até fazer o maior dos disparates. Não era quem dificilmente seguia para a universidade. Eu era APENAS a amiga que se vestia de negro. E não a amiga que ajudou a mocinha a superar os seus problemas. Porém, isso jamais me foi reconhecido.

Chamei-lhes ingratos, no meu silêncio. Reconheci que vêem o mundo com as cores erradas (vêem-me, essencialmente, apenas com o negro que eu envergava e que hoje não faz parte do meu vestuário como única cor).

E dói; qualquer aranha por mais orgulhosa que seja, se esconde no canto da sua teia e deixa a alma chorar.

Pois é.

A aranha suspira

•Maio 25, 2008 • Deixe um Comentário

Compreender-me-ão que há certas alturas em que nos comportamos como moscas horríveis para com o aracnídeo do nosso coração; é depois vermo-nos esconder a cabeça entre as patas, ou melhor, asas.

Quantas aranhas conhecem que se levantam duas horas mais cedo para vir tomar o pequeno-almoço convosco?

Quantas aranhas fazem questão de vos chamar, todos os dias, ”a aranha mais bela de todas as teias do  mundo”?

Quantas aranhas verdadeiramente aracnídeas conhecem?

 

 

 

É.

E depois eu consigo ser uma mosca.

Corpos – cadáveres

•Maio 18, 2008 • Deixe um Comentário

Há algum tempo, eu editei um livro pela Corpos Editora. E – confesso – foi das coisas mais tolas que fiz. Apercebi-me disso no imediato momento em que o livro me chegou às mãos.

A Corpos Editora não tem o cuidado de fazer a revisão do conteúdo dos livros. Naturalmente, há sempre um ou dois – ou mais – erros que passam despercebidos ao próprio autor, e que cabe à editora rectificar. Mas não. Os responsáveis pela editora preocuparam-se somente com a quantidade de livros que o autor é obrigado a adquirir como condição de contrato. Depois de termos acordado a edição do livro, enviei, por e-mail, à editora, mais alguns textos. Um específico texto deveria – e era claramente perceptível, pelo seu tom de despedida e de finalização - encerrar o livro; tal não se sucedeu.

Bem recentemente, soube que uma colega de faculdade prepara-se para editar um livro. Ela própria confessou que apenas o faz porque notou um entusiasmado incrível por parte da família quando anunciou a possibilidade de vir a ter um livro lançado. O busílis da questão: não considero que tenha qualidade que mereça edição. Chamem-me o que quiserem, mas simplesmente não tem. Por outras palavras: a Corpos Editora está a aproveitar-se da ingenuidade de uma moça que sonha ser escritora. Aaah, e não, não é uma empresa de realização de sonhos, mas de sucção de dinheiro (15 euros por um livro de 25 paginas escritas [50 num total, estando cada verso em branco], é pesadote [justificação da editora - a capa dura]).

No entanto, sei de meia dúzia de bons escritores lá no meio (e de mais meia dúzia que se recusam a assinar contrato com a Corpos porque sabem que ela se trata, acima de tudo, de uma fraude). Estes bons escritores mereciam mais e melhor – mais hipóteses de verem a sua arte reconhecida a nível nacional, no mínimo, e melhor tratamento da sua arte. O problema é que as boas editoras colocam demasiados entraves à edição de bons livros – recorde-se o famoso caso de um nobel literário que, enviado com outro título e diferentes nomes das personagens, a um editora não sei onde (mas muito conceituada), foi pura e simplesmente recusado por, segundo eles, não ter aquilo a que chamam de “qualidade”. E repito: um livro premiado com um nobel da literatura.

A Corpos Editora nunca sairá da condição de pequena editora por isso mesmo. O lema dela é: “tudo o que vem à rede é peixe”.

Aposto, firmemente, que o meu livro jamais foi colocado à venda. E isso acontece com uma larga percentagem dos livros editados pela Corpos.

Tenho a impressão que alguém envolvido com a Corpos (incluindo a própria editora) e quase-envolvidos virão aqui cair de pára-quedas. Na verdade – antes cair na teia desta aranha desiludida, do que ser devorado pelas patas cortantes da Corpos Editora.

Ou então

•Maio 14, 2008 • Deixe um Comentário

Enterrem-me debaixo de um carvalho. Sem estátuas nem mármores.

Só um belo vivo carvalho.

Que fique escrito

•Maio 11, 2008 • Deixe um Comentário

Eu desejo ardentemente (ah, que ironia) ser cremada quando morrer. Mas ah, atrevam-se a cremar-me numa câmara horrível e eu perseguir-vos-ei até ao fim dos vossos dias.

Queimem-me ao ar livre. Num belo jardim.

Sei ser impossível, que o seja. Mas eu hei-de voar eternamente sobre o verde com que sonho, tantas e tantas noites.

E depois do Adeus

•Maio 11, 2008 • Deixe um Comentário

A Aranha fica quieta.

O mais estranho de tudo, é ter uma curiosidade absolutamente horripilante na Morte. E o mais assustador, é perceber que eu seria, de facto, capaz de cometer suicídio.

Ou talvez não.

Compreender-me-ão, julgo.

A menina de 15 anos (lindíssima, por sinal), já não tem a Morte a zumbir em torno dela. A menina recostou-se, por fim, contra o Seu regaço.

E algo me assombra; é uma curiosidade mórbida como poucas outras: onde está ela. Ver-se-á, dali, a repousar na morgue? Ah, e a autópsia, ser aberta, ser remexida; enfim, que raio lhe deu?

Comove-me, juro, ver todos os miúdos da sua idade a lamentarem a sua partida nos seus territórios na net.

Eu não a conhecia. Creio tê-la visto, em frente à escola, na companhia de um dos irmão do meu doce aracnídeo. Tenho

quase a certeza.

Pobre … não direi criança. Ah, não. 

Pobre pai

Pobre mãe

Em que teias deixarão eles tamanho verme se neles entranhar

Pois

•Maio 11, 2008 • Deixe um Comentário

Ontem resolvi fazer de incrível, e saí para a noite. Não frequento discotecas, mas fiz o que sempre faço: olhar. Desta vez, com uma amiga de infância do meu aracnídeo preferido, falando apenas alemão.

Ponto 1. Ela sabia também inglês

Ponto 2. Preferi falar em alemão com ela

Ponto 3. Não domino, mas desenrasco-me relativamente bem, mas aquilo que dois anos de aulas de alemão no secundário (de extrema bagunça, na verdade) o permitem.

Ponto 4. Chamo-lhe treino.

Entrando no cerne do que pretendo dizer, soube que uma miúda dos seus 15 anos resolveu brincar com a arma do papá. Demasiado a sério.

É.

E não, não morreu ainda. Deve a Morte andar a zombar em torno dela.

É.

Resta saber o que se passa por aqui. Isto é demasiado frequente.

É pois.

Vibra

•Maio 10, 2008 • Deixe um Comentário

Uma vez que escrevo para ninguém, ou para alguma presa que aqui venha tombar, posso dizer o que realmente me irrita.

Irrita-me não compreender nada de mim.

Ponto 1: sou anti-social, de uma maneira bem orgulhosa.

Ponto 2: estando numa relação, não sei se saberei o que é amar.

Ponto 3: deve ser culpa minha.

Ponto 4: eu acredito na reencarnação. Mas, oh, chega de reencarnar.

Ponto 5: quando morrer, quero que a minha alma ganhe asas e voe sobre os espaços verdes da Escócia e da Irlanda…

Ponto 6: se possível antes de morrer, agradecia.

A Aranha rodopia na teia

•Maio 10, 2008 • 1 Comentário

O mais absurdo de tudo isto, é que escrevo para ninguém. Ninguém me lê, ou lerá, não enquanto eu nao apresentar este espaço a alguém. E se depender de mim, nunca ninguém aqui há-de chegar. Mas há o acaso. E o acaso faz cruzar mentes aracnídeas com este tipo de teias.

Mas duvido que algum dia a ela fiquem presos. Preso. Presa. Alguém.

Pergunta: Algum dia viram uma aranha a respirar? Inspirar… Expirar… Insipirar… Expirar…

A Aranha Respira

•Maio 9, 2008 • Deixe um Comentário

1.º ponto: não gosto propriamente de aranhas. Não gostaria de as ter, por exemplo, a percorrer o corpo. Eis o lado mais incrível de tudo isto: fascinam-me. É sentar-me no jardim e perceber como uma minúscula aranha consegue atravessar um abismo que vai da mesa de terraço ao vaso mais próximo (à vontade, 1 metro). E tudo isto – obra das suas obras.

Vá-se lá compreender porque, ainda assim, elas me conseguem repugnar.

2.º ponto: eu sou uma espécie de aranha.

3.º ponto: Deve ter havido algo a me chamar a criar (mais) um blogue. Ainda não descobri o quê

 

 

mas não tardará.